Cine Fachada | Mostra de filmes ao ar livre, exibidos na fachada do Instituto Tomie Ohtake
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Classificação indicativa: Livre

Categoria(s):

  • Cinema
  • Redução das desigualdades

Cine Fachada | Mostra de filmes ao ar livre, exibidos na fachada do Instituto Tomie Ohtake

Mulheres negras, signo plural
por Heitor Augusto*

Não é segredo dizer que curtas-metragens dirigidos por negros ou abocanharam os principais prêmios nos festivais brasileiros em 2017 ou foram as obras no formato mais discutidas ao longo de todo ano. Dentro desse recorte, a participação de mulheres negras diretoras é vigorosa. Nos últimos três anos a discussão racial tem perpassado o campo do cinema não apenas no que se refere à representação – quem está na tela? –, mas também à representatividade – quem filmou a imagem que chegou à tela? É impossível pensar a próxima década de cinema brasileiro sem atentar para a agência do olhar: quem a detém e a quais corpos ela tem sido historicamente negada? Esta edição do Cinefachada joga luzes na produção recente em curta-metragem das mulheres negras diretoras. Os três programas apresentam uma multiplicidade de abordagens, mantendo um diálogo indireto com os recortes propostos pela exposição Histórias Afro-Atlânticas.

No Programa 1 estão em diálogo três filmes que se relacionam com a cidade de uma forma bastante peculiar. Sample (Cultura Inglesa Festival), de Ana Júlia, traz à superfície o passado (e o presente) negro das ruas de São Paulo a partir do encontro de um casal. Peripatético, (Melhor Roteiro | Festival de Brasília) estrutura-se na disputa de um “nós” contra um “eles”. A direção de Jessica Queiroz valoriza tanto os elementos lúdicos da infância como os enfrentamentos políticos dos privilégios. Experimentando o vermelho em dilúvio (Menção Honrosa | Janela de Cinema do Recife) traz o olhar e o corpo da performer – e diretora – Michelle Mattiuzzi para a construção de uma experiência-limite física e estética.

O Programa 2 apresenta filmes em que a voz ou a imagem se tornam elementos de comunicação com espaços simbólicos inacessíveis. Em Casca de Baobá (Festival Internacional de Curtas de SP), a diretora Mariana Luzia toma a árvore marcadamente identificada com a ancestralidade negra como um elo simbólico entre uma mãe quilombola e sua filha, estudante universitária. Travessia (Grande Prêmio do Júri | Semana – Festival de Cinema) é um pequeno grande gesto de diagnóstico da ausência – fotografias de famílias negras – e oferecimento da cura – o próprio curta elabora fotografias posadas, de forma a oferecer um outro imaginário. Já Nome de Batismo: Alice (Melhor Curta-metragem | É Tudo Verdade) traz a investigação em primeira pessoa da diretora Tila Chitunda do passado de sua família em Angola.

O Programa 3 traz filmes em que o signo “mulher” se manifesta com pluralidade. Monga, retrato de café (FIC Gibara), de Everlane Moraes, é um singelo documentário que revela gradualmente os rastros da revolução cubana na história da protagonista. Maria (Festival de Cinema Luso-brasileiro de Santa Maria da Feira), de Elen Linth e com codireção de Riane Nascimento, traz as performances de Maria Morais, mulher transexual, na costura de uma afirmação ao direito de pessoas trans à cidade. A boneca e o silêncio (Melhor Filme | Entretodos – Festival de Curtas de Direitos Humanos) escancara a condição de isolamento e abandono de uma adolescente negra de periferia que decide pela interrupção de uma gravidez indesejada. De forma alguma existe a pretensão de esgotar ou apresentar um panorama completo dos curtas que dirigidos no último ano por realizadoras negras. A programação deste Cinefachada não deseja encerrar um olhar, mas ampliá-lo, fazer alguns apontamentos, atender ou questionar expectativas do que pode uma mulher negra que decide ocupar a cadeira de direção.

*Heitor Augusto é crítico de cinema, curador, professor e tradutor. Seus artigos estão publicados em revistas eletrônicas de crítica, veículos da mídia impressa, além de catálogos de mostras e também em livros. Ministra cursos livres em cinema e coordena oficinas de crítica cinematográfica. Curador da mostra Cinema Negro: Capítulos de uma História Fragmentada e integrante do comitê de seleção de longas do Festival de Brasília (2017, 2018). Mantém o site pessoal Urso de Lata, onde exercita uma escrita que habita as intersecções entre estética, raça e política.

Instituto Tomie Ohtake | Histórias Afro-atlânticas

O Instituto Tomie Ohtake realiza uma ampla programação como parte da exposição Histórias Afro-atlânticas, composta por conversas com artistas, apresentações musicais, debates, curso para professores, visitas mediadas e recursos de acessibilidade para os mais diversos públicos. Integrando a programação, nos dias 24, 25 e 26 de agosto acontecem duas mostras que trazem produções de mulheres negras, ambas com o apoio da Virada Sustentável: o Cinefachada Mulheres negras, signo plural, que traz as produções recentes em curta-metragem de mulheres negras diretoras e E eu não sou uma mulher?, série de performances com artistas que dialogam com as questões da negritude feminina.

Datas, Horários e Locais

Horário(s) para o dia 24 de Agosto

Das 20:00h às 22:00h

Horário(s) para o dia 25 de Agosto

Das 20:00h às 22:00h

Horário(s) para o dia 26 de Agosto

Das 20:00h às 22:00h